Kaoana CardosoCRP 12/06698
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Canabis Medicinal e Autismo: Controvérsias

O uso medicinal da maconha e suas controvérsias.

O artigo utilizado como leitura para produção deste texto foi elaborado em Israel por vários pesquisadores, citados na referência, e publicado em março de 2019 por uma revista acadêmica. Tradução do título: "O canabidiol como um candidato sugerido para o tratamento do transtorno do espectro do autismo".

Existem muitas controvérsias sobre a cannabis medicinal e, especialmente, o uso de extratos de plantas em crianças está em pleno andamento. Na maioria dos países, o uso da cannabis, sendo medicinal ou não, é atualmente ilegal.

Vários estudos mostraram efeitos benéficos do uso medicinal de cannabis em diferentes doenças. Por exemplo, a Academia Nacional de Ciências, Engenharia e Medicina afirma que há evidências substanciais para a eficácia da cannabis no tratamento da dor crônica em adultos, bem como evidência moderada de melhora de sintomas.

Como os pacientes com TEA tendem a demonstrar pouco interesse em explorar novos comportamentos, a probabilidade de eles desenvolverem transtornos por uso de substâncias é bastante baixa.

Os déficits de interação social fazem parte dos principais fenótipos do TEA, e o CBD demonstrou algumas propriedades pró-sociais em estudos pré-clínicos. Além disso, em algumas das comorbidades mais comuns do TEA, como distúrbio do sono, TDAH, ansiedade e convulsões, o CBD pode ser eficaz como monoterapia ou tratamento adicional. Em outras comorbidades, como psicose, comportamento aditivo, transtornos de humor ou cognitivos e agressividade, o nível de evidência é baixo. Apesar da falta de dados clínicos convincentes sobre a eficácia dos canabinoides no tratamento do TEA, o tratamento com canabinoides parece ser relativamente seguro em adultos e crianças.

No vídeo de Rubens Wajnsztejn e Drauzio Varella, de 14 de dezembro de 2022, eles conversam sobre a ação farmacológica do uso medicinal da maconha e sobre o CBD, substância encontrada na planta, para tratamentos de doenças. A cannabis, enquanto planta, tem uma variedade muito grande. Há relato científico de um médico atuando na Índia que percebeu que a cannabis auxiliava nas crises convulsivas. No século XIX já foi produzida uma preparação em óleo e começou a ser estudado o uso da maconha. No século XX, a maconha foi se disseminando na população. A maconha foi encontrada em tumbas egípcias antes de Cristo.

O Conselho Federal de Medicina decidiu que poderia ser utilizada para síndromes específicas. Algumas crianças tinham 40 convulsões por dia, e o uso do canabidiol controlou as crises. O comportamento de um paciente adolescente que tinha muitas crises epiléticas e brigava com todo mundo na escola melhorou com o uso do canabidiol, além de ele não ter mais crises. Existem estudos do uso do canabidiol em dores crônicas.

Em outro vídeo, o Prof. Dr. Ronaldo Ramos Laranjeira detalha o artigo da revista Molecular Autism sobre uso da maconha para o tratamento do autismo. Foi feito um ensaio clínico com 150 pessoas com autismo, e a maconha demonstrou que o efeito não era válido; somente foi observado o relaxamento da pessoa. Isso é chamado de prova de conceito: se a substância tem algum efeito sobre a doença, é uma garantia importante de que a pesquisa pode ir para frente.

Existem grupos muito importantes interessados em produzir maconha medicinal. A maior produção de maconha para fins medicinais fica localizada no Canadá, e lá o mercado está saturado; por isso eles têm interesse em vender a ideia para o Brasil de que a maconha realmente funciona como uso medicinal para várias doenças.

No vídeo intitulado "Mitos e verdades da Cannabis Medicinal", de Carolina Nocetti, em 17 de agosto de 2022, vemos que a Anvisa, desde 2015, aprovou a importação de medicamentos para uso medicinal da cannabis, com 35 mil solicitações aprovadas.

Nocetti (2022) fala sobre a cartilha do uso da maconha comprada na rua e critica fortemente essa forma de uso. Existe uma cartilha do CFM sobre evidências conclusivas do uso medicinal da maconha, que não seja o uso recreativo da maconha comprada na rua. O THC e o CBD são componentes da planta Cannabis sativa L., que possui três categorias de compostos: os canabinoides, os terpenos (cheiro) e os flavonoides (cor e sabor).

O medicamento deve ser registrado pela Anvisa. Existem 20 produtos produzidos a partir do canabidiol hoje registrados nas farmácias. A pesquisadora acredita que existe um potencial terapêutico no uso medicinal da maconha. Existem dentro da maconha mais de 100 canabinoides; os mais estudados são o CBD e o THC, que têm respostas positivas.

Um pesquisador no Brasil chamado Fabrício Pamplona publicou diferentes estudos científicos, um deles sobre o uso de produtos provenientes dessa planta com os componentes isolados, o THC e o CBD. O CFM aponta que existem evidências conclusivas em dor em adultos, espasticidade, esclerose múltipla, rigidez muscular e náuseas provenientes dos efeitos colaterais quimioterápicos.

A cientista é a favor do uso da cannabis medicinal. A Unifesp já formou 45 mil alunos com curso de extensão sobre o uso medicinal do canabidiol. O Brasil é o país que mais tem estudos científicos do uso medicinal da maconha.

Minha opinião é que sejam continuados os estudos para o uso medicinal da planta Cannabis sativa L., para que possamos desmistificar seu uso medicinal e para que todos aqueles que sofrem de doenças graves sejam beneficiados.

Referências Bibliográficas

NOCETTI e VARELLA, 2022. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=plJd00hPDIo. Acesso em 30 de setembro de 2023.

POLEG, GOLUBCHIK, OFFEN, WEIZMAN, 2019. Cannabidiol as a suggested candidate for treatment of autism spectrum disorder.

RAMOS, 2021. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=uLXTrXh5USM. Acesso em 30 de setembro de 2023.