Kaoana CardosoCRP 12/06698
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TDAH e os Fatores Psicossociais por Trás do Diagnóstico

O transtorno de atenção e hiperatividade é um diagnóstico que tem menos de trinta anos de existência no Brasil. É caracterizado principalmente por desatenção, impulsividade e hiperatividade. Em 2005 foi feita uma pesquisa realizada pela Universidade Federal Fluminense numa unidade escolar, com objetivo de detectar fatores psicossociais causadores de TDAH. Esse diagnóstico é recente no Brasil, ainda não existem pesquisas suficientes para esclarecer todos os fatores causais.

Assim como em toda pesquisa dentro da temática de saúde mental, os fatores genéticos são considerados, porém, nenhum fator genético por si só é determinante, ou seja, a causalidade é medida pela relação destes fatores com os ambientais. É sabido que como apontou Silva em 2003, os portadores de tal diagnóstico conseguem prestar atenção naquilo que tem interesse, devido isso, dentro de outro prisma, poderiam ser apenas considerados sujeitos não adestráveis, pois se conseguem focar atenção naquilo que gostam e tem dificuldade de realizar atividades das quais não possuem interesse, até que ponto esse diagnóstico poderia ser totalmente fidedigno? Se realmente fosse desatenção não seria em tudo?

Seria muita ingenuidade não considerar a influência da indústria farmacêutica nesse diagnóstico, considero hiperatividade um sintoma que por si só não pode ser diagnosticável. Como já foi apontado na pesquisa de 2005, diversos fatores familiares como: brigas conjugais de familiares da criança, morte de um dos genitores, depressão na mãe, podem nos fazer considerar esse transtorno dentro de uma visão sistêmica, na qual não somente a criança está adoecida. Particularmente não vejo relevância em estudar apenas os portadores de tal transtorno sem estudar minuciosamente o ambiente que estão inseridos, isso inclui a família.

O uso da famosa “ritalina” é frequente por portadores de tais transtornos, a ritalina é um remédio que tem a fórmula parecida com a cocaína, e causa dependência. Se nos Estados Unidos, onde as pesquisas de saúde mental estão mais avançadas que no Brasil, tal droga já tem uso proibido para crianças, porque no Brasil ainda é recomendado? Por ser mais fácil medicalizar o sujeito do que trabalhar com os fatores causais (família).

Para o psicólogo americano Keith Conners, entrevistado pela BBC em 2016, há um exagero de diagnósticos de TDHA, ele considera que o diagnóstico está excessivo enquanto outros fatores ignorados. Se em 2016 já tinha exagero, agora certamente tem mais.

Em 2010, o Brasil já foi o maior consumidor de ritalina do mundo, hoje perde para os Estados Unidos. É mais barato e de solução mais rápido para controlar crianças inquietas e ajudar na concentração, uma caixa de ritalina custa em média R$ 35 reais, enquanto um tratamento com psicoterapia com psicólogos custa bem mais que isso. Existe um documento que diz que há estimativas discordantes sobre a ocorrência de TDHA em crianças e adolescentes no Brasil.

Tal artigo foi realizado por uma faculdade de medicina, obviamente trata muito mais esse transtorno com medicamentos, por ter solução mais rápida e barata, a medicalização excessiva do brasileiro já é um fator cultural. A pesquisa termina dizendo que o estudo não é suficiente para determinar fatores psicossociais causadores do TDAH, como psicóloga, posso afirmar que possuo certeza dessas influências, conforme várias pesquisas mais atuais.