TDAH: Concepções, Fatores Genéticos, de Desenvolvimento e Psicossociais
TDAH: Concepções, Fatores Genéticos, Fatores de Desenvolvimento e Fatores Psicossociais, relativos à construção do conhecimento na área.
Resumo
O artigo discute os fatores de risco psicossociais para o Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade, baseados numa pesquisa de 2004. A pesquisa coletou informações de alunos de 6 a 15 anos de idade de ambos os sexos, estudantes de uma escola pública do Rio de Janeiro. Despertou a discussão dos aspectos que contribuem para o diagnóstico de TDAH. Neste artigo são mencionados e correlacionados, quais os fatores dentre estes: genéticos, psicossociais e de desenvolvimento foram determinantes para o desenvolvimento do transtorno nestes estudantes avaliados.
Palavras-chave: Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, diagnóstico e fatores de risco.
Introdução
Este artigo foi inspirado na leitura da pesquisa intitulada: Contribuição dos fatores de risco Psicossociais para o Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade, Malheiros et al 2005, trabalho avaliativo da disciplina de Bases Neurobiológicas e Psicofarmacología do Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade da tutora neurocientista, Dra. Juliana Pinto.
Esta pesquisa foi realizada no ano de 2004, com alunos do ensino fundamental das séries de alfabetização, meninos e meninas, dentre eles com a idade de 6 a 15 anos, estudantes da 1ª série até a 4ª série do ensino fundamental de uma escola pública do Rio de Janeiro. No total de 403 estudantes convidados, 108 tiveram triagem positiva para o TDAH, em seguida 69 alunos tiveram diagnóstico confirmado para TDAH. No total 132 alunos, distribuídos em três grupos: 1) crianças com o diagnóstico de TDAH (alunos afetados; n=69); 2) crianças com triagem positiva, sem confirmação do diagnóstico (alunos indeterminados; n=32); e 3) crianças que tiveram escores mínimos na triagem e apresentavam bom rendimento escolar; n=31).
Criou-se a estratégia de comparar os três grupos para encontrar semelhanças e diferenças na presença de fatores de risco psicossociais que diferenciariam cada grupo.
Conclui-se na pesquisa, que as crianças que foram expostas a brigas conjugais no passado entre os pais correm risco de 11,66 vezes mais alto de ter o diagnóstico de TDAH. E também a exposição à violência comunitária seja acrescentada aos indicadores de adversidade de Rutter, nos quais predispõem o caso de TDAH e outros transtornos neuropsiquiátricos na infância.
Dialogando com a Pesquisa dos fatores de risco psicossociais para o Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade
O transtorno de atenção e hiperatividade é um diagnóstico que tem menos de trinta anos de existência no Brasil, sendo reconhecido pelo Conselho Federal de Medicina no ano de 2000.
O TDAH é caracterizado principalmente por desatenção, impulsividade e hiperatividade. Em 2005 foi feita uma pesquisa realizada pela Universidade Federal Fluminense numa unidade escolar, com objetivo de detectar fatores psicossociais causadores de TDAH. Esse diagnóstico é recente no Brasil, ainda não existem pesquisas suficientes para esclarecer todos os fatores causais.
Assim como em toda pesquisa dentro da temática de saúde mental, os fatores genéticos são considerados, porém, nenhum fator genético por si só é determinante, ou seja, a causalidade é medida pela relação destes fatores com os ambientais. É sabido que como apontou Silva em 2003, os portadores de tal diagnóstico conseguem prestar atenção naquilo que tem interesse, devido a isso, dentro de outro prisma, poderiam ser apenas considerados sujeitos não adestrados, pois, se conseguem focar atenção naquilo que gostam e tem dificuldade de realizar atividades das quais não possuem interesse, até que ponto esse diagnóstico poderia ser totalmente fidedigno? Se realmente fosse desatenção não seria em tudo?
Seria muita ingenuidade não considerar a influência da indústria farmacêutica nesse diagnóstico, considero hiperatividade um sintoma que por si só não pode ser diagnosticável. Como já foi apontado na pesquisa de 2005, diversos fatores familiares como: brigas conjugais de familiares da criança, morte de um dos genitores, depressão na mãe, podem nos fazer considerar esse transtorno dentro de uma visão sistêmica, na qual não somente a criança está adoecida. Particularmente não vejo relevância em estudar apenas os portadores de tal transtorno sem estudar minuciosamente o ambiente que estão inseridos, isso inclui a família.
O uso da famosa “ritalina” é frequente por portadores de tais transtornos, a ritalina é um remédio que tem a fórmula parecida com a cocaína, e causa dependência. Se nos Estados Unidos, onde as pesquisas de saúde mental estão mais avançadas que no Brasil, tal droga já tem uso proibido para crianças, porque no Brasil ainda é recomendado? Por ser mais fácil medicalizar o sujeito do que trabalhar com os fatores causais (família).
Para o psicólogo americano Keith Conners, entrevistado pela BBC em 2016, há um exagero de diagnósticos de TDHA, ele considera o diagnóstico excessivo enquanto outros fatores são ignorados. Se em 2016 já tinha exagero, agora certamente tem mais.
Em 2010, o Brasil já foi o maior consumidor de ritalina do mundo, hoje perde para os Estados Unidos. É mais barato e de solução mais rápida, para controlar crianças inquietas e ajudar na concentração, uma caixa de ritalina custa em média R$35 reais, enquanto um tratamento com psicoterapia com psicólogos custa bem mais que isso. Existe um documento que diz que há estimativas discordantes sobre a ocorrência de TDAH em crianças e adolescentes no Brasil.
Tal artigo foi realizado por uma faculdade de medicina, obviamente trata muito mais esse transtorno com medicamentos, por ter solução mais rápida e barata, a medicalização excessiva do brasileiro já é um fator cultural. A pesquisa termina dizendo que o estudo não é suficiente para determinar fatores psicossociais causadores do TDAH.
Limites na educação, são fatores muito importantes. Os diagnósticos geralmente são dados na infância.
Os critérios que aparecem no TDAH: desatenção, ansiedade, a pessoa fica desatenta, mas essa desatenção é desde a infância, o indivíduo tem esquecimentos de coisas, uma desorganização e desatenção, que acontece na ansiedade. Mas no TDAH, isso é muito mais frequente, persistente durante toda a vida do indivíduo. Outro aspecto importante é a hiperatividade, agitação constante, dificuldade de ficar parado, falar excessivamente. Agir sem pensar, agir com impulsividade, respostas precipitadas. São características parecidas com os sintomas de ansiedade, porém, em quem tem TDAH, esses sintomas acontecem com muito mais intensidade.
Os indivíduos que possuem diagnóstico de TDAH, também possuem qualidades, vou citar algumas: criatividade, inovação, espontaneidade, empatia com as pessoas que tem TDAH, habilidades surpreendentes na solução de problemas, possuem QI alto, possuem muita energia para fazer aquilo que gostam e hiperfoco, perdendo muitas vezes a noção do tempo quando estão fazendo algo que gostam muito.
O lado bom do TDAH, segundo Yuri Maia 2023, é de que são bons ouvintes, são altruístas, pois passam a vida toda por muitos obstáculos, por serem diferentes da maioria das outras pessoas. Demonstram compaixão com as outras pessoas, são resilientes, são determinadas, pessoas que lutam muito para ter aquilo que desejam. A grande questão para alcançar o sucesso na vida é conciliar a genialidade, inteligência e habilidade com o ambiente de trabalho que o indivíduo com TDAH têm.
Interessante a pesquisa utilizar indivíduos na faixa etária da alfabetização à quarta série, e que apresentavam sintomas de TDAH, antes dos 7 anos de idade.
Significa muito importante analisar uma questão, antes de entrar na 1ª série, os alunos estão em um modelo de sala e escola diferentes, o objetivo principal é brincar, o início da alfabetização acontece um ano antes de entrar na 1ª série. As crianças que frequentam a educação infantil, falando especificamente do Estado de Santa Catarina-Brasil, podem iniciar na educação infantil aos 4 meses de idade. Algumas mães, por diversos motivos, de sobrevivência no mundo capitalista e elitista, necessitam colocar os filhos aos 4 meses de vida na escola, e seguem trabalhando para garantir o sustento de sua família.
Na cidade que resido, interior de Santa Catarina, chamada Rio do Sul, a prefeitura oferece creche 12 meses, 12 horas por dia. A criança tem direito a 30 dias de férias, nas férias de seus pais, para que estes fiquem com seus filhos em casa. Muitos pais trocam de emprego, ou seguem desempregados, o ano inteiro, sobrevivendo de auxílios do governo, ou então fazendo “bicos”, enquanto isso, seus filhos têm o direito de serem atendidos na Educação Infantil, desde os 4 meses de vida, porém, a lei diz que as crianças devem obrigatoriamente frequentar as escolas de educação infantil a partir de 4 anos de idade.
São diversos os fatores que culminam no aumento do número de crianças nas creches públicas, podemos citar alguns deles, a pobreza, a falta de organização familiar, as doenças mentais, a gravidez na adolescência, os novos modelos de família, o uso de drogas ilícitas e também a violência doméstica. Isso tudo pode colaborar e influenciar a vida dessas crianças para que desenvolvam o transtorno de TDAH.
Existe a comprovação científica de que a genética, os fatores ambientais, fatores de desenvolvimento e fatores psicossociais influenciam no diagnóstico do TDAH.
Acredito que os seres humanos são o resultado daquilo que viveram, do modo como lidam com seus problemas, das oportunidades que tiveram na vida e das oportunidades que criaram em suas vidas.
Conclusão
O diagnóstico de TDAH não é o problema, mas pode se tornar um problema, se a criança não for levada ao médico e ao psicólogo para fazer um tratamento. Vivemos num sistema de ensino, que não permite que as crianças manifestem sua criatividade, e seu potencial de uma forma integrada. Enquanto o método de ensino, para as crianças com TDAH, for o mesmo que as crianças que não o tem, e as salas de aula forem com carteiras enfileiradas, em que elas tenham que ficar sentadas a maior parte do tempo, o professor não vencerá a dificuldade de ensinar os alunos. Estes alunos ficarão estressados nesse ambiente que não permite que eles desenvolvam sua melhor versão. Não estou dizendo com isso, que todos os comportamentos de quem tem este diagnóstico, são aceitos, muito pelo contrário, devemos reforçar os comportamentos positivos com elogios, e redirecionar brevemente os comportamentos negativos de forma consistente, imediatamente após este comportamento, de forma calma e silenciosa.
Considerando que a pesquisa foi feita com uma classe social desfavorecida, limitando-se aos aspectos negativos do TDAH. No resumo da pesquisa, aponta que foi analisada a contribuição dos fatores psicossociais para a ocorrência do transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH). Foram utilizados questionários de sintomas do DSM IV e um questionário psicossocial específico e realizaram-se exames físico e neurológico completos. O resultado foi que o fator psicossocial estatisticamente evidente foram “brigas conjugais no passado, alguns assassinatos de parentes próximos das crianças”, e esta variável foi estatisticamente evidente.
Conclui-se no artigo estudado que a exposição à violência comunitária acrescidas aos indicadores de adversidade de Rutter, predispõem os indivíduos à ocorrência de TDAH e outros transtornos neuropsiquiátricos na infância, acredito no resultado da pesquisa.
Existem muitos artigos publicados sobre o TDAH, cerca de 4.670.000 resultados de pesquisa, quando digitamos esse tema no google, o que precisamos fazer é buscar informação para poder entender melhor esse transtorno.